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AMANHECER

Lentamente a noite se retirou. Os primeiros raios de sol que diariamente penetram as janelas da Accabem provocam o despertar daqueles que ali residem e que puderam ou não desfrutar de uma boa noite de sono, o que é raro, em função de dificuldades várias, pois como se sabe, o idoso dorme pouco, ainda menos quando se encontra acometido de alguma enfermidade. Vários são aqueles que perambulam pelos corredores, durante suas noites insones.

Voluntários e funcionários movimentam-se diligentemente para promover a higiene dos residentes, produzir e fornecer o primeiro alimento do dia, ministrar-lhes os medicamentos prescritos pelos médicos, além de higienizarem o ambiente, ações essas corriqueiras e fundamentais.

Não é fácil, são oitenta e sete residentes, entre homens e mulheres idosos e adultos, numerosos portadores de necessidades especiais, muitos acamados, todos necessitados  de atenção e cuidados. E o número tende a aumentar.

Ouvem-se bem próximo o canto dos pássaros, burburinho de muitas vozes, risadas altas, música, aqui e ali choros contidos, lamentos, numa mistura de sons e sentimentos que cercam os internos.

Nesses momentos entra em cena o carinho que conforta, o ouvir que consola, o abraço que sufoca a saudade dos entes queridos que se foram para o plano espiritual ou que os ferem pela ausência deliberada, pelo puro e simples abandono.

Aos funcionários, voluntários, administrativos, médicos, enfermeiros, auxiliares e colaboradores, a diretoria - dentre eles os fundadores - rendem-se homenagens, pois sem o concurso responsável e comprometido de cada um deles, a realização do sonho de acolhimento não seria possível. 

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Início Accabem

Todos aqueles que visitam a Accabem pela primeira vez, correm um grande risco – o de se apaixonar pela instituição, seja pela energia ambiente, pela filosofia do trabalho, ou pelo esforço diário dos obreiros da casa em fornecer a cada um dos que a procuram em busca de ajuda, o abrigo, o alimento, o medicamento necessário para seus corpos depauperados pelos embates da vida.

Além do necessário para o corpo físico, a direção, juntamente com funcionários e voluntários procura envolver cada um dos abrigados num ambiente de carinho e  respeito de que são merecedores.

A questão espiritual jamais é esquecida. Todos os dias os moradores são convidados através do Evangelho a reflexionarem, se auto-analisarem e buscarem entender por que deixaram ou foram abandonados pelas famílias, do porque do naufrágio amoroso e do patrimônio construído ao longo de uma vida de trabalho.

Através do Evangelho (cuja participação não é imposta) trabalham pela aceitação de suas realidades atuais pois, por maior que seja a dedicação das almas intensamente virtuosas que hoje atendem às suas necessidades, nada substitui o ambiente familiar.

Necessário haver também a disponibilidade, a força, a persistência e a capacidade de conviver com a individualidade de cada companheiro de luta, superando as diferenças de personalidade e histórico espiritual, harmonizando o ambiente, para a realização do trabalho condizente com os compromissos por todos firmados no mundo espiritual.

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Assim como aconteceu com Divaldo Pereira Franco, foi através de um sonho  com  fortes  conotações  de  realidade,  que  Reinaldo  recebeu a  inspiração para construção de uma Casa de Caridade, formando então “um grupo de trabalho com a espiritualidade” afirmou.

Claro que ele sozinho não poderia muito realizar na parte física do empreendimento, daí contar desde o início com pessoas antes partícipes de reuniões de estudos formado por ele no ano de 1995 no “Grupo de Estudos Bezerra de Menezes – GEBEM” que o ajudaram desde os primeiros momentos, a erguer a estrutura física do empreendimento.

Iniciou os trabalhos em sua própria residência, onde acolheu os necessitados, ministrando-lhes junto com os companheiros e familiares, os cuidados necessários à recuperação física de cada um dos recolhidos, de forma tosca, sem maiores conhecimentos de enfermagem, contando apenas com a intuição, boa vontade e parcos materiais disponíveis para higiene e curativos.

Muitos dos companheiros que iniciaram o trabalho com ele ficaram para trás nos  embates da vida, porem outros continuam ao seu lado até hoje, e um sem numero de pessoas foram chegando e , participando ativamente dessa importante obra de caridade.

No ano de fundação da antes intitulada Cabem – no ano de 1999, muitos fatos importantes e curiosos aconteciam no mundo.

Os Estados Unidos abdicavam do controle do Canal de Panamá, importantíssimo e estratégico elo de ligação entre os oceanos atlântico e pacífico que encurtam até hoje as distâncias.

A Aspirina completava então 100 anos de descoberta e lançamento no mercado mundial.

Um grande blecaute atingiu onze unidades federativas do Brasil e o Paraguai na noite de quinta-feira, 11 de março de 1999,  estendendo-se pela madrugada do dia seguinte.

Todo mundo achava que o mundo iria acabar naquele ano, segundo noticiava a imprensa.

Alheio a tudo que ocorria no mundo, o grupo que auxiliou Reinaldo desde os primeiros momentos, trabalhava para atingir talvez o mais nobre objetivo da sua vida. Como em todo empreendimento, no princípio foi muito difícil. Nesse caso, a vizinhança não aceitava que mendigos portadores de graves doenças fossem ali tratados e acomodados.

O ir e vir diário de pessoas moradores de rua incomodava a muitos, que alegavam risco de assalto e contaminações várias por vírus e bactérias que eles estariam conduzindo em seus corpos depauperados.

Mas a pequena equipe enviada pela espiritualidade para auxiliar Reinaldo não esmorecia.

Através de banhos diários, curativos sem maiores recursos que não o amor ao próximo, do alimento preparado por eles mesmos à custa do próprio bolso ou de algumas poucas doações, salvavam vidas, demonstrando para cada um dos atendidos que ainda havia esperança, que não se encontravam – apesar das circunstancias – de todo abandonados.

Passaram-se os anos, a casa crescendo, as responsabilidades aumentando na mesma proporção, mais e mais pessoas chegando solicitando  abrigo, outras para auxiliar.

Á custa de muito esforço conjunto, de doações de almas amigas - algumas delas residentes em outros países – os obstáculos estão sendo vencidos.

No princípio a maior luta foi convencer os vizinhos a aceitarem a presença dos atendidos, e a aos poderes públicos sobre a seriedade da obra.

A Casa atende hoje oitenta e nove idosos de ambos os sexos, e continua buscando recursos tanto para sua sobrevivência quanto para ampliação de suas instalações, afim de atender ainda mais pessoas carentes.


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