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É preciso coragem para abraçar a verdade

Inicialmente pensava em dar outro título a este texto. Coloquei que deveríamos ter coragem para encontrar a verdade, mas lembrei-me que cada um pode ter uma visão diferente do que seja a verdade, embora, a verdade como todas as coisas, deva ser uma só. Não temos dois amarelos, dois tipos de honestidade ou dois sapatos direitos de um mesmo par, por que existiriam um par de verdades? O nosso problema fundamental não é se podemos descobrir a verdade e nem mesmo se ela existe, o problema maior é: uma vez encontrando a verdade poderemos nos ligar a ela? Poderemos abraçá-la com a mesma disposição e alegria que abraçamos alguém que amamos?

Gosto de assistir vídeos no you tube para saber o que pensam nossos mais famosos filósofos, nossos políticos e pessoas comuns como eu, sobre as infindáveis questões que com razão ou não, nos afligem ou despertam a curiosidade. Qual o comportamento dos espíritas e religiosos sobre questões que discordam? Quais os argumentos de que se utilizam? O quanto realmente se debruçaram sobre o pensamento alheio para compreendê-lo ou apenas se entristeceram ao encontrar alguém que não compartilhava de suas idéias. Somos rigorosos para avaliar se o pensamento alheio é acertado, conseguimos usar a mesma racionalidade e rigor em relação às nossas próprias convicções?

Podemos analisar o grupo espírita a que pertencemos com a mesma isenção usada para analisar o grupo alheio? Não irei me referir as demais religiões, pois, não fazem parte da minha realidade existencial. Conseguiremos compreender o defeito dos outros grupos como compreendemos os do nosso grupo ou não vemos defeitos em nossa casa, deixando-os como exclusividade para a casa alheia? Imagino que seja muito trabalhoso perceber a própria imperfeição, mas haverá forma melhor de nos aperfeiçoarmos? Se não percebermos o defeito que existe em nós, como iremos evoluir espiritualmente? Concordamos somente com o que admiramos ou sabemos concordar com aquilo que não gostamos? Sabemos distinguir idéias de pessoas ou concordamos com tudo o que diz nosso amigo e discordamos sempre das pessoas que nos são antipáticas sem nos importarmos se estão certas ou não?

Uma atitude desastrosa para quem deseje abraçar a verdade é ser fã de uma pessoa ou instituição. A idolatria é uma atitude de infantilidade emocional. Podemos amar sem precisar concordar sempre, podemos ser amigos sem precisar aceitar tudo. É quase regra idolatrar pessoas no movimento espírita. Formam-se grupos partidários de tal pessoa, espírito ou grupo espirita e passamos a ser contrário aos outros. Deveríamos discordar de idéias e condutas, analisar idéias e nunca analisar pessoas. Outra questão é achar que o que é diferente de nossa forma de ser e pensar é, necessariamente, falso.

 Se um grupo tem uma forma diferente de dar um passe (chamam a isso de técnica do passe), logo surgem desconfianças. Será que não se pode chegar ao mesmo resultado por caminhos diversos? Se digo que vou à Europa, sou obrigado a ir de avião? Não posso ir de navio? Foram realizados estudos realmente científicos com análises estatísticas demonstrando a superioridade de uma técnica de passe magnético sobre outra ou tudo não passa de partidarismo ou visão apressada de resultados favoráveis? Estamos encantados por nós mesmos? O outro tem de estar errado para estarmos certos? Teríamos a coragem de mudar de opinião se os resultados do outro grupo fossem equivalentes ao do nosso grupo? O que vale para o passe magnético-espiritual, também vale para qualquer situação análoga. Temos abraçado pessoas e livros, não tanto por amor à verdade, mas por amor às nossas próprias idéias, amigos ou ao que nos é familiar.

Dificilmente as discussões de temas espiritas ou espiritualistas ficam restritos ao que a codificação kardeciana revela e observem que Kardec nos aconselha a usar a razão para identificar a verdade daquilo que cremos. Os espíritos superiores nunca nos pediram para seguir um livro, se nós seguimos a codificação espírita é porque a razão e a experiência nos revela que, realmente, é um trabalho de espíritos superiores. Se são espíritos superiores, como abandonar suas concepções para nos apegarmos às nossas?  Mas  tudo o que acreditamos deve passar pelo crivo da razão antes de ser aceito. Não acreditamos em algo apenas por estar na codificação espírita. Se não aprovamos o fanatismo e a leitura literal que outros religiosos tem em relação aos seus credos e livros sagrados, como iríamos aceitá-los dentro do Espiritismo?  Devemos nos lembrar que Kardec propôs que a fé inabalável é a que encara a razão face a face, não o Espiritismo face a face, pois, não somos fundamentalistas, somos racionais.

Enfim, é indispensável muita coragem para abraçar a verdade. É preciso coragem para aceitar a verdade, onde ela se encontrar, com quem estiver e em qualquer tempo. Temos um grupo de estudos de O Livro dos Espíritos onde muito nos esforçamos para estudar com razão e não apenas através com o que aprendemos em palestras espiritas, de amigos e de nós mesmos. Muitas vezes somos questionados por pessoas do grupo que ouviram ou leram idéias contrárias ao que o livro nos revela. Respondemos que cada um tem o direito de ter a sua interpretação ou não ter interpretação alguma caso não tenha lido o livro. Não baseamos nossas discussões no fato de quem disse isso ou aquilo ser famoso ou não. Respeitamos um grande líder espirita da mesma forma que respeitamos alguém que conheceu hoje o Espiritismo. Acreditamos que todos merecem nosso respeito e admiração quando são sinceros em suas convicções. Não analisamos racionalmente pessoas, analisamos racionalmente conceitos, definições e propostas. Sabemos do valor inestimável das palestras, dos amigos e de lideranças espíritas, mas não podendo exigir a perfeição de palestrantes ou instituições, exigimos de nós mesmos o uso da razão e a coragem de abraçar a verdade.

João Senna.


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