Carregando Postagens...

Grandiosidade pequena


Um fenômeno social curioso é este: quanto maior o intelecto, menor a espontaneidade. É um fato que tenho percebido ao conversar com pessoas do mais variado nível intelectual e cultural. Não se tem diante da pessoa de maior cultura ou de grande prestígio acadêmico aquela espontaneidade e prazer que se tem ao conversar com as pessoas mais simples do ponto de vista da cultura e, talvez, da inteligência.

Predomina um culto à personalidade quando se conversa com grandes expoentes da cultura nacional ou mesmo local. Percebe-se um artificialismo na conversa e parece-nos que mesmo o seu riso é medido em tempo e altura. É como se tivessem que sempre mostrar algo para os outros e que sua imagem devesse ser preservada e pairasse acima das coisas vulgares e comuns que encantam aqueles destituídos de um intelecto ou cultura inacessíveis ao entendimento  comum. E que ninguém queira contar uma piada ao lado destes seres alados ou fazer de conta que não entendeu ou concordou com o que eles disseram. Discordar de tais iniciados nas verdades universais somente será permitido como um favor que se faz ao exercício da discussão acadêmica.

Assim surge o economês, o filosofês e o racionalês como línguas preferidas, mesmo ao falarem ao povo, ao escreverem em jornais que serão  lidos pelo homem comum onde nos incluímos. Ninguém queira saber o que pensam as pessoas com grande prestigio intelectual. Digo saber de forma clara, objetiva. Um saber do tipo que conseguimos ao perguntar as horas para alguém na rua. E isto porque, em nosso país, a cultura e a inteligência é para poucos e passou a ser uma espécie de muralha onde se encastelam os senhores feudais do conhecimento. Não estamos divididos apenas pelo poder do dinheiro. Claro que existem exceções, mas são bem raras. Não questionamos o valor da intelectualidade, mas do intelectualismo. Nem, tampouco, desconhecemos a grandiosidade da cultura, mas questionamos o pedantismo cultural que pode surgir quando a cultura torna-se um valor em si mesmo, não um instrumento em favor do bem coletivo.

 Tal estado de coisas surge, inevitável, quando os valores do intelecto se alimentam da cultura materialista das universidades, uma cultura  onde cada um é definido, antecipadamente, pela forma que fala, escreve e se adapta aos valores de seus iguais. A verdadeira democracia e humanismo são impossíveis onde predominam tais características. Assim definido, a pessoa comum não pode aproximar-se a não ser para prestar homenagens e cultuar tão altas personalidades.

João Senna.



Comentários

Deixe um Comentário

Posts Recentes

30/Outubro/2017

É fácil ser enganado?

26/Outubro/2017

Sucesso não é aplauso

17/Outubro/2017

Penalidade, Justiça e...

05/Outubro/2017

Holanda / curiosidades


Onde estamos ? clique aqui para ver o mapaFechar Mapa

Entre em Contato

Aguardamos seu contato!

Telefone

(71) 3288-1452

Email

accabem@hotmail.com

Localização

Rua Professor Theócrito Batista - s/n lt 39 - Caji, Lauro de Freitas - BA - 42700-000