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Penalidade, Justiça e Consciência

 

É comum ouvirmos que o espírito julga a si mesmo no tribunal da consciência e tanto ouvimos que nos acostumamos à idéia sem que aprofundemos suas consequências. No ambiente das religiões cristãs e outras religiões monoteístas , não é tido como normal a individualidade julgar a si mesma deixando para Deus apenas o papel de referendar o veredito. Mas qual será a visão mais coerente com a lógica de um universo regido por justiça, sabedoria e bondade?

Em O Livro dos Espíritos nunca é dito que o indivíduo julga a si mesmo, embora, tenha a consciência para alertá-lo sobre o que é certo e o que é errado. Aliás, os espíritos esclarecem que existem punições para o espírito culpado, existe penalidade para toda falta. É preciso que se diga algo importante: não confundir vingança com punição. O castigo pode ser a penalidade imposta ao espírito infrator, mas não significa que toda penalidade venha sob a forma de castigo. Não é arbitrário a existência de penalidades ou castigos para atos, sentimentos e pensamentos contrários à lei de Deus. Na terra os juízes estabelecem penalidades de acordo com leis previamente estabelecidas e não achamos isto injusto ou acusamos o juiz de ser vingativo. É difícil imaginar um juiz perguntando ao réu qual a penalidade que o mesmo deseja e o próprio réu estabelecendo a penalidade, cabendo ao juiz a mera função de ratificar a vontade do réu.

Por que não podemos julgar a nós mesmos no tribunal da consciência? Bem, primeiramente, não temos a iluminação espiritual que nos permita perceber todas as variáveis envolvidas em nosso próprio caso. Também não temos a inteligência ou a onisciência para definir o que será o melhor para nós e para todas as pessoas envolvidas no processo. Imaginemos que eu tenha desprezado os meus pais e familiares. Posso pedir para nascer órfão na próxima encarnação? Será esta a melhor opção? Tenho a condição emocional de passar por tal prova sem me revoltar e complicar ainda mais a minha situação? Neste exemplo simples e pouco complexo já percebemos que não podemos julgar a nós mesmos e dar uma sentença. Quando Jesus nos aconselhou a não julgar, estava incluindo a nós mesmos no processo. Não se deve julgar os outros e a si mesmo, nunca. Podemos ser severos com os nossos erros e indulgentes com as faltas alheias, como ensino O Evangelho Segundo O Espiritismo, mas nunca julgar.

E a consciência? Para que serve? Bem, não  serve para julgar. O seu papel é de alertar para promoção do bem e evitar o mal. O julgamento é da parte de Deus que possui onisciência, onipotência e bondade infinita. A justiça de Deus apresenta-se com o rigor da lei, mas é cheia de misericórdia e oportunidades renovadas para a correção do erro. Paulo nos ensina: sabeis, irmãos, que não estais sob o jugo da lei, mas sob a graça de Deus. De acordo com o grau de evolução espiritual de cada um, somos julgados por Deus.  Não somos julgados pelas leis de Deus, pois, as leis são, simplesmente, a forma de sabermos a vontade de Deus. Somos julgados por Deus. Leis não julgam pessoas. O julgamento de Deus consiste em avaliações, penalidades, oportunidades de correção, tudo objetivando a felicidade do espírito.

A penalidade imposta ao espírito é adequada ao seu entendimento. Se o espírito é muito atrasado, rebelde e orgulhoso... Que opção tem os mecanismos de correção de Deus, senão  uma penalidade dura? Não é o espírito que impõe a si mesmo uma vida cheia de dificuldades, embora, seja sempre o responsável em maior ou menor grau por tudo que ocorra a ele. Existem, é claro, espíritos que podem querer impor a si mesmos duras provas, mas tal ocorrerá somente se houver o consentimento de Deus, que avalia e consente o que o espírito apenas tem condições de propor, nunca impor.

À medida que evoluímos moral e intelectualmente, passamos a avaliar as penalidades que nos serão aplicadas e poderemos mesmo reivindicar prazos, penas mais suaves ou duras ou tipo diferente de penalidade e outros expedientes, mas percebemos que não temos a palavra final por nos faltarem o entendimento moral e cognitivo para avaliar com justiça tão altas questões. A programação espiritual para reencarnar é tão mais complexa, quanto mais se é evoluído. Os espíritos muito atrasados, muitas vezes, renascem por  mecanismos automáticos sem se darem conta do que lhes ocorrerá. Isto se dá por não terem equilíbrio emocional e cognitivo suficientes para entenderem a sublimidade do processo de evolução espiritual. Muitas vezes são processos cármicos muito dolorosos, mas inevitáveis por serem necessários ao reequilíbrio do espírito em débito. Única forma de alcançarem a felicidade destinada a todos os seres da criação.

Nós não podemos ser juiz, réu, advogado, promotor e júri a um só tempo. Não imagine que a expressão "tribunal da consciência" seja uma instituição ou local existente no mundo real. Não podemos ser tão orgulhosos ao ponto de querer submeter as leis de Deus ao nosso entendimento e sair dando sentenças como quem distribui doces em aniversário de criança.
Como Jesus podemos também dizer: dê a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

João Senna.
Salvador, 2/06/2016

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