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Por que fazemos o que fazemos?

Uma inquietante questão é o motivo do comportamento ou em outros termos: por que fazemos o que fazemos. Comumente se diz que, visto muito de perto, ninguém é absolutamente normal e os pessimistas dirão que ninguém é minimamente normal. Deixemos os pessimistas de lado, porque não podemos levar a sério aquele que não se acredita minimamente normal. Mas a pergunta persiste e, realmente, causa espanto a nós mesmos o fato de não nos comportarmos de acordo com nossas crenças e muitas vezes agirmos em desacordo com o que sabemos. Lembram-se do ditado popular? Faça o que eu digo, não faço o que eu faço?

Freud tinha razão ao dizer que somos comandados por desejos, pulsões e outros fatores que não se subordinam à racionalidade. Quando nos perguntam por que fizemos tal coisa, embora, tal coisa esteja em desacordo com nossos valores morais, o que fazemos? Começamos  a construir um conjunto de justificativas que nada explicam ou justificam, a psicologia chama este comportamento de racionalização. O que Freud não explica é o motivo de sermos assim. Por que não agimos sempre racionalmente sendo racionais? Por que o desejo contamina a razão e, muitas vezes, a submete? Fala-se que esta é a natureza. Por que um peixe nada em vez de andar ou voar? Respondemos: é da natureza do peixe nadar e a psicologia afirma que é da natureza humana  ser comandada pelo desejo.

O Espiritismo percebe nossas atitudes de forma diversa e lhes dá uma explicação dentro da tese espiritualista. Somos seres espirituais impulsionados pelo amor ou pela ausência do amor ou por seu desequilíbrio. Acreditamos em algo, essencialmente, por que gostamos desse algo, somos apaixonados por nossas ideias, amantes de nossos desejos. Certamente que existem boas e más coisas para se amar. Podemos amar com sabedoria ou sem sabedoria, de forma justa ou não, equilibrada ou desarmônica.

Ao longo do processo reencarnatório, o espírito reflete, estuda, experimenta. Aprova e desaprova, é bem sucedido em suas atitudes e sonhos ou se desilude com eles. Naturalmente, estas experiências e pensamentos se tornarão bons ou maus amigos a depender de seus resultados. Assim é que passamos a amá-los ou odiá-los ou, simplesmente, nos tornamos indiferentes. O que nos une a atitudes e ideais é o amor que temos por eles, não quer dizer que a razão não participe de sua aprovação ou repúdio, quer dizer que, simplesmente, nos unimos ao que amamos, não apenas ao que acreditamos ou sabemos ser o certo. A questão é aprender a amar o que é certo e verdadeiro. Sócrates define o verdadeiro filósofo não com aquele que sabe, acredita ou entende, mas aquele que ama a sabedoria.

Ser espírita não é somente ler, estudar, refletir e aceitar a codificação espírita. Tudo isto é importante, mas não define o que é ser espirita. Ser espirita é amar o ensino dos espíritos superiores, onde o Cristo é o maior representante. Nos unimos a uma religião ou a uma filosofia, não por que simplesmente a entendemos, mas por amá-la. O primeiro mandamento da lei de Deus não é acreditar em Deus, não é aceitar Deus ou compreendê-lo, mas amar a Deus. Jesus não nos pede para compreender ou aceitar as ideias e comportamento do nosso próximo, ele pede que amemos o nosso próximo como já amamos a nós mesmos.

Certamente que não se pode amar a Deus sem acreditar que ele exista.  A comunhão que temos com seres, ideias, coisas e comportamentos se dá muito mais pelo sentimento que tais elementos despertam em nós. Em Mateus Jesus declara: se me amais guardai os meus mandamentos e eu rogarei ao Pai que vos envie outro consolador, o espírito de verdade". O impulso evolutivo maior é o amor, mas através da razão aprendemos a gostar da verdade, não apenas de nós mesmos ou idolatrar nossas opiniões. O estudo é importante ao nos apontar o erro em amar o vício, de cultuar o sofisma, de idolatramos o próprio eu. Nos mostra a excelência de Deus e do amor ao próximo. Tudo isto é importante e possível porque não podemos amar a Deus e aos nossos desejos em desarmonia. A razão e a cultura podem nos dispor à adequação com as leis de Deus, mas  somente o amor impulsionado por uma vontade firme poderá nos unir verdadeiramente a Deus e ao nosso próximo.

João Senna
Médico, Escritor, Palestrante


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