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Um falso Problema


Estamos tão acostumados com certas afirmações que não nos damos conta que podem não ser verdadeiras e que, talvez, nem existam no mundo real. Os eventos sociais, os acontecimentos de relevância histórica e nós mesmos não existimos fora do mundo. Tudo aquilo que é ou que virá existir sempre o fará dentro das possibilidades do meio em que se insere e, embora, raros consigam vencer esta realidade, ainda assim não tornam inverídica está proposição: fazemos o que podemos, não mais que isso.

Temos muitos exemplos de falsos problemas e abaixo procuraremos identificar alguns que servirão de modelo mental ao nos deparamos com questões semelhantes.

1- Em um encontro espirita perguntou-se a um médium o que ele achava do desenvolvimento científico do Espiritismo na atualidade e ele respondeu: "tem sido pequena a pesquisa científica sobre o Espiritismo. A maior parte foi realizada no século dezenove. Chico Xavier e o espírito Emmanuel deram um viés religioso ao espiritismo e os grupos espíritas acabaram por adaptar-se a uma visão exclusivamente religiosa do espiritismo em detrimento de seu aspecto científico. Sei que Emmanuel e Chico nos são culpados por isso, mas foi o que ocorreu"

Crítica da proposição 1
O espiritismo não tem um viés religioso, a religião ou o sentimento religioso brota de forma natural de sua estrutura filosófica. Desconsiderar está realidade é aceitá-lo apenas como uma informação cientifica ou especulação filosófica tornando o indivíduo espirita um mero espectador da informação originada do mundo espiritual. Os grupos espíritas não desconsideram o aspecto científico do espiritismo, mas não possuem, exceto raramente, a mínima competência  para a pesquisa científica. Podem, evidentemente, estudá-lo em seu aspecto científico mas de forma mais ou menos precária. Caberia as universidades, as federações espíritas e  cientistas interessados  o papel da investigação científica.
Não cabe a Emmanuel ou a outro espírito realizar o papel que nos compete. As pessoas que procuram os grupos espíritas procuram informação para orientar suas vidas ou a consolação para seus problemas.  Atribuir a Chico Xavier ou Emmanuel a preponderância do aspecto religioso do espiritismo sobre seu aspecto científico é fazer do movimento espirita um conjunto de seres limitados intelectualmente, o que está longe de ser verdade. A maioria não quer o centro espirita transformado em falsa academia de ciência  ou os espíritas fantasiados de cientistas improvisados.

2- A fé tem o papel de levar o homem a aceitar o que não pode entender.

 

Esta é uma falsa questão. Quando se pergunta o porque das coisas não o fazemos por duvidar e sim pelo real interesse de entender. A fé é um sentimento que nos une a Deus e a valores superiores. Não é necessário que isto não possa se originar da razão. Não se quer dizer que a fé não racional não tenha seu valor se for verdadeira. Se acredito que lavar as mãos evita doenças, não importa se saiba o motivo, mas que lave  as mãos. O problema de tal comportamento é aceitar o verdadeiro e o falso como igualmente prováveis desde que a razão não participou de sua análise. Kardec disse que a fé inabalável seria somente aquela que pudesse encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade. Não disse que a fé não racional seria sem valor ou não verdadeira. Disse apenas que, se o ato de fé basear-se em algo falso, então, mais cedo ou mais tarde se revelará a sua insuficiência. Se acreditar que tendo fé poderei cair na água sem saber nadar, então, é possível que me afogue. O problema foi a fé em algo não verdadeiro. Você não é jesus para andar sobre as águas e a fé que você tem não mudará isso. É um falso dilema acreditar que a fé seja um substituto para a razão. 

3- Se a fé nos salva, então, não precisamos ser caridosos.

O Espiritismo compreende que a caridade seja um das consequências da fé. Uma abnegação  constante pelo próximo a ponto de prejudicarmos o interesse financeiro, emocional e mesmo a própria saúde somente poderá ser inspirado e sustentado pela fé. Existem impulsos generosos entre pessoas sem religiosidade, mas não persistem no tempo e não alcançam a renúncia constante de todo interesse egoísta. Se isso não fosse verdadeiro não precisaríamos acreditar em Deus como nos ensina Jesus, bastaria que o amor brotasse por encanto em seres tão imperfeitos como todos nós somos.
As demais religiões entendem que a fé basta para a salvação e fé significa apenas acreditar na palavra de Deus e não em fazer a caridade. Ora, mesmo que isso seja ou fosse verdadeiro, ainda assim não seria motivo para se afastar da caridade. Alguns animais cuidam de seus filhotes e mesmo de não filhotes e não deveria ser o cristão a dar o exemplo contrário. 
Quando jesus disse que devíamos amar o próximo como a nós mesmos, certamente,  quis dizer que a caridade que fazemos todo dia a nós mesmos deveria também se estender aos demais.
Temos, portanto, outro falso dilema. O homem deturpa os ensinamentos religiosos por ignorância ou por maldade, sendo que no último caso costuma atribuir este comportamento ao diabo que o perturbou.

João Senna (Médico, escritor, palestrante)


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