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Uma vez...no Natal

UM BANQUINHO E ALGUNS FOGOS

O inverno estava diferente naquele vinte e quatro de dezembro. Apesar das chuvas constantes na região Amazônica, dava para ver a tarde trocando de roupa do laranja para o violeta parecendo entender, que dali a pouco as pessoas estariam se reunindo para mais um natal.

O cortiço estava alvoroçado. Os rostos estavam iluminados por sorrisos. Os braços quase não se viam por estarem ocupados por pacotes coloridos em estrelas e bolinhas, além de iguarias de todo tipo e  muitas bebidas.  Atenta ao movimento frenético dos transeuntes, fui pega de surpresa com “ desce do banco Maria”, e na virada de cabeça nossos olhos se cruzaram. Notei uma rajada de tristeza nos dela, mas não contei conversa, desci.

Para não dizer que éramos zeradas de bens materiais tínhamos duas redes para dormir, três caixas de papelão para guardar as roupas, um pequeno fogão de duas bocas e um banquinho de madeira.   Era um só vão o pequeno quarto, mas o suficiente para permitir grandes momentos de ternura entre aquela mulher de porte pequena , eu e  minha irmã.

Atrás do cortiço havia um campinho de futebol.  Todo de barro puro. Era lá, que a garotada do cortiço se reunia nos finais de tarde para competir Barra Bandeira, um jogo bobo onde ganhava quem tomava do campo do adversário um galho de árvore. Verão ou inverno estávamos correndo e aprendendo a ganhar. Eu e minha irmã éramos grandes jogadoras, principalmente quando a chuva chegava e a lama nos adornava o corpo deixando tudo lisinho. Ah, como gostava daquela chuva! Ela me fazia sonhar, que no céu morava um Deus grandão capaz de parar o mundo quando Ele fazia chover. Mas naquela tarde mamãe não deixou nos deixou brincar.  

A noite chegou cedo e por volta das dezenove horas recebemos ordem de ir deitar. Minha mãe veio na beirinha da rede dar-nos a benção, ficou nos olhando até  pegarmos no sono.

Não o sei o tempo que passou, mas já era bem escuro quando os fogos cruzaram os céus e me despertaram. Abri os olhos sem me levantar da rede e vi minha mãe sentada no banquinho, no escuro, olhando para os fogos. Parecia limpar o rosto. Quando me percebeu olhando para ela, falou baixinho:  Fecha os olhos e volta a dormir. Obedeci, e logo voltei a pegar no sono.

Os anos passaram.

Daquele dia até hoje vários natais se passaram com extravagâncias de todos os tipos: comidas exóticas, presentes variados, árvores carregadas de piscas-piscas, bebidas a escolher. Nenhum foi tão forte quanto aquele. E foram necessários muitos anos para eu perceber a razão da  cama tão cedo  naquele dia - não havia comida para nós. Nem um pedaço de pão !  

A  imagem daquela mulher no banquinho no escuro, dos fogos nos céus, não deixam de me visitar desde então em  todos os natais. Contudo, não me deixam negativa. Não, nada disso !  Dos fogos guardo a alegria, do banquinho  guardo a voz dela me dizendo “ vai dormir”, que traduzi para  “amanhã será diferente”.

Transformei minha vida, começando pelo aprimoramento constante e diário de meus talentos; Como é hoje meu presente ? Um sonho de sucesso.

De fato lhe digo com certeza: O natal é época de sonho, fantasia e fé. Faça o seu valer de verdade. Não perca tempo, acredite em você, ainda que tudo que lhe resta seja apenas um banquinho, fogos e alguns poucos sonhos. Faça seu interior brilhar pela estrela que você é !

Feliz natal !!

Denilza Munhoz

Pscoterapeuta, poliglota e professora de línguas


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