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Reflexões oportunas

Chamo verdades fabricadas aqueles declarações que fazem do jogo de palavras a sua aparente verdade. Se não aprofundamos certos conceitos somos levados a acreditar nos mesmos da mesma forma que a criança acredita no Papai Noel, mas com a diferença que a criança um dia saberá a verdade. São colocações um tanto sutis que, apesar de falsas, ganham o status de realidade. São as verdades fabricadas. É muito comum tentar impor certas convicções apelando para os aspectos emocionais ou para um conjunto de vantagens e desvantagens que nos levariam a ter certas posturas através da matemática, ou seja, calculando os prós e os contra deveríamos ser levados a uma posição razoável, mas que quando analisadas em suas consequências se mostrariam inadequadas ou nocivas. É comum a muitos afirmarem que não se deve fazer a caridade pensando em recompensas e tal atitude invalidaria a máxima espirita: fora da caridade não há salvação. Acreditam que fazer a caridade pensando na salvação seria algo imoral. O fato é que a máxima não nos pede a atitude interesseira, mas apenas realça a realidade de que todos precisam amar e ser amados. A caridade é o amor em ação, não o interesse em ação. A caridade regula todas as conquistas espirituais, sem ela o homem torna-se distante do seu irmão e passa a vincular-se a um racionalismo indiferente à sorte dos demais seres que com ele convivem. Não podemos ser consolados com argumentos científicos. Não é possível a uma mulher se conformar em ter sido traída por seu marido com a alegação de que, estatisticamente, os homens traem muito as mulheres e, por isso, é natural que assim seja. Não se pode ajudar moralmente sem o ato da caridade, por isso, fora da caridade não há salvação. É um fato da vida, não uma escolha ou invenção. Reduzir o Espiritismo a uma perspectiva exclusivamente cientifica é torná-lo inoperante para as situações reais da vida. Você não deve dar esmolas para não incentivar a preguiça. Este é outro pensamento ilógico. Seria o mesmo que negar a um filho uma explicação sob a alegação de que ele nunca irá aprender por si mesmo se explicarmos a solução do problema. Ora, a explicação é uma forma de aprendizado, um interesse legítimo. Aos pais caberá perceber se o filho está abusando desta prerrogativa. Da mesma forma a esmola pode ser um recurso valioso para uma situação atípica. Se você não é capaz de dar uma esmola, é pouco provável que esteja realmente pensando no futuro do mendigo. Alguém já se preocupou em oferecer um emprego, um abrigo, uma qualificação ao mendigo? Seria possível que algum empresário o aceitasse hoje mesmo como funcionário? Porque tanta relutância em dar cinquenta centavos? Todos os que cometem o suicídio irão para o umbral. Ouvimos muitos falarem sobre isso. O fato é que o suicídio traz consequências terríveis para o suicida e as leis de Deus e sua misericórdia nunca colocariam um farto impossível de suportar. Por isso, tal ato nunca se justifica ou poderá ser classificado como coragem. É fruto do desespero, da rebeldia, da infantilidade mesmo e cada caso terá o diagnóstico preciso, mas não será feito por nós que, às vezes, não sabemos muito sobre nossas próprias vidas. O fato de o suicídio ser contrário às leis de Deus não nos dá o direito de determinar que todos os suicidas devem ir para o umbral. É grande o número dos que para lá se dirigem, mas não são todos. Não cabe a ninguém determinar destinos ou promulgar sentenças. Todos passam pelo umbral. É uma afirmação um tanto gratuita. Ora, ninguém pode determinar o que ocorrerá com a vida alheia. No máximo poderemos dar um palpite sobre a nossa vida. Tornar o umbral uma passagem obrigatória é torná-lo uma atração turística. Seria estranho várias crianças caminhando solitárias pelo umbral. O mundo espiritual está em outra dimensão, por isso, a ciência apresenta dificuldades em admiti-lo. Alguém tem uma foto colorida e com imagem nítida do espírito Emmanuel ou da entrada da cidade Nosso Lar? Se o espírito André Luís declarou que as regiões umbralinas eram contíguas à Terra, ele o fez pensando em termos vibratórios, não por uma questão geográfica. O umbral não é logo ali como se pode pensar, embora, não seja difícil ir para lá. É só você se esforçar caso faça questão de conhecê-lo. Eu não faço. Ouço constantemente em palestras espíritas que não se deve nunca ter sentimento de culpa. A pessoa não deve se sentir culpada por nada. Alegam que muitos espíritos e alguns de elevada hierarquia assim afirmaram. Mesmo os espíritos mais evoluídos não apresentam uma mesma opinião sobre determinados assuntos. Podem mesmo ter concepções diversas do que seja o sentimento de culpa. Podemos estar falando de coisas diversas. A psicologia está longe de ser uma atividade objetiva. Se eu digo: não cultive a culpa ou a tristeza, o que foi que eu disse? Disse para você não se sentir culpado, mesmo tendo errado de propósito? Mesmo tendo enganado e traído? Claro que não disse isto, apenas declarei para que você não se afunde na culpa cultivando-a por anos. Se sua mãe morre, você não deve ficar triste? O que você não pode fazer é cultivar a tristeza e nunca mais sorrir durante toda a sua existência. Sentimento de culpa é sinônimo de compreensão espiritual, significa que você se percebe imperfeito, que é culpado pelo erro e, portanto, tem obrigação moral de corrigi-lo. Muitos dizem: sentimento de culpa não leva a lugar algum. Mas não é verdade. Pedro negou Jesus três vezes, teve sentimento de culpa e dedicou sua vida à divulgação e à vivência do cristianismo. A culpa passou a ser elemento de tolerância para com a falta de amigos e inimigos. Se ele houvera traído o próprio mestre, por que não poderia por sua vez ser traído? Por que exigir a compreensão alheia se ele mesmo não compreendera o seu melhor amigo? No livro Paulo e Estevão lemos essas revelações. O mesmo se dá com a saudade. Qual a sua finalidade? Para que serve? Deveríamos deixar de ter saudade sobe a alegação de que ela não traz de volta o ser que partiu e pode nos deixar tristes? Já imaginaram a reação de alguém que amamos ao saber que após seu desencarne nunca sentimos saudades? Mas ter saudade é ter vivido, ter tido boas experiências, não é viver no passado, embora, para muitos idosos abandonados por seus familiares viver do passado é a única alegria de que dispõe. A saudade é um laço de amor e incentivo para os seres que amamos. Deve-se ter saudade e sentimento de culpa quando nos sabemos culpados ou quando lembramos momentos felizes, mas não se deve viver, exclusivamente, para eles. Aristóteles nos ensina que a virtude está no equilíbrio, não nos extremos. Nem um sentimento inesgotável de culpa, nem um conjunto de desculpas pouco responsáveis. Enfim, é preciso muita reflexão e estudo do evangelho para não nos confundirmos e confundirmos os outros. Claro que cada um interpreta o mundo e o que leu através de seus próprios valores e entendimento. Nada existe de errado nisto. Não podemos negar ao outro aquilo que solicitamos para nós: a liberdade de expor opiniões, de ter sua própria interpretação. O direito de fazer releituras ou mesmo de relativizar o que achamos oportuno. Mas não é essa a questão. A solução ou a questão como se queira chamar é estudar tudo e refletir muito as várias opiniões que lemos e ouvimos, pois, como nos ensina o apóstolo Paulo: tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.

João Senna:

Médico, escritor, palestrante, foi por 20 anos Voluntário na ACCABEM, atendendo aos idosos nas manhãs de domingo







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